Preciosa

22:20



Semana passada fui assistir ao filme Preciosa, de Lee Daniels. Fiquei sabendo do filme por intermédio das colunas de Eliane Brum e Cristiane Segatto, ambas colunistas na revista Época, as quais costumo ler. O filme conta a história de uma jovem adolescente vítima de violência doméstica, tanto física quanto psicológica, que não vê nenhuma perspectiva de vida (para tentar amenizar a dura realidade, ela cria um mundo de fantasias só seu) até conhecer uma professora que a faz descobrir qualidades que ela desconhecia. Não preciso dizer que chorei na sala de cinema, né? Pois é. Mas o filme emociona na medida certa, sem ser piegas. Faz pensar. E eu acabei me lembrando de uma querida professora que me fez descobrir, tempos atrás,  qualidades que eu também desconhecia em mim... Todos nós passamos por algum "momento Preciosa" na vida. Pode até não ter toda a carga dramática como mostrada no filme (Preciosa chega a engravidar por duas vezes do seu próprio pai), mas quantas vezes damos ouvidos a palavras que teimam em nos fazer acreditar em algo que não somos? Fico pensando também em quantas "Preciosas" existirão por esse mundo afora precisando de alguém que lhes faça ver quem realmente são. Pessoas precisando de uma professora Rain, que acredite nelas. Que as vejam além das aparências e palavreados chulos. Como pessoas que precisam de atenção, carinho, de investimento de tempo. Preciosas e preciosos. Acho que devíamos andar com um espelho na bolsa. Para nós e mais quem precisasse..

Por isso gosto tanto de Rubem Alves. Sempre que leio um texto seu, algo acontece dentro de mim. Ele deve ter embutido algum espelho mágico dentro das palavras, porque sempre acabo me descobrindo nelas em algum momento. É uma grande aventura lê-lo. Uma aventura interior, nele, através de suas memórias e em mim mesma. Nunca termino a leitura do mesmo modo que comecei. Sempre ocorre alguma transformação... Às vezes é fecundada alguma idéia, um sonho. Outras vezes é um parto mesmo. De quem? De mim, oras. Deixando a velha mulher de lado (geralmente aquela que nunca fui) e nascendo uma nova. Continuo a mesma, mas sou outra. É como entrar num casulo lagarta e sair borboleta. Uma metamorfose. É assim que me sinto todas as vezes que o leio.

E é uma transformação que a professora faz acontecer na vida de Preciosa. Melhor dizendo, uma transformação na sua mente. O carinho que ela nunca teve em casa. Suas novas amigas no colégio alternativo. O olhar de atenção e cuidado que a faz olhar para si mesma com outros olhos. Em meio a uma realidade dura, pois além de ser pobre é negra, obesa e praticamente analfabeta aos 16 anos de idade, ela encontra alguém que acredita nela quando nem mesmo ela acreditava. Tudo isso faz de Preciosa um filme que vale a pena ser visto. Além do que, o filme está concorrendo a seis indicações ao Oscar, incluindo melhor filme, atriz e diretor. Recomendo igualmente a leitura das colunas de Eliane Brum e Cristiane Segatto sobre o mesmo.

OBS: Se dependesse de mim,  as seis estatuetas seriam de Preciosa. Vou ficar na torcida.

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