domingo, maio 23, 2010

Caminhos...




Gosto de mudar a rotina dos meus passos. Mudo os caminhos que percorro por necessidade fisiológica. A rotina tem a sua beleza, mas não para meus pés. Eles se cansam dos mesmos caminhos. Desejam novidade. Querem flertar com outras ruas e avenidas. São infiéis.

 
Meus pés adoram inaugurar novas rotas. São desbravadores natos. Desse modo, acabo percorrendo caminhos mais longos do que antes. Mas meus pés não se importam. O caminho mais longo é o mais curto para chegar em casa...

A paisagem já não é mais a mesma. Mudam os rostos. Mudam os cheiros. Os sapatos vislumbram novos horizontes. A brisa acaricia meu rosto de um jeito diferente. O vento afaga meus cabelos de uma outra maneira. Estou sempre reinventando os meus caminhos.

 
Desacelero um pouco os passos para apreciar melhor a nova paisagem. É preciso desacostumar os sapatos com os velhos caminhos. É um desafio. O medo se esconde no desconhecido. Mas se não arriscar novos rumos, meus passos não descobrirão novas possibilidades. Meus sapatos sempre ficarão acostumados com as velhas e empoeiradas ruas, pois não saberão que podem andar de um jeito diferente. Será preciso ensiná-los, como se fosse a primeira vez...


São como os hábitos. Para abandonar um e começar outro, mais saudável, é preciso a coragem de se arriscar em novos e desconhecidos caminhos. Não é fácil. Requer persistência e desprendimento.

 
Por se estar acostumada com o antigo hábito, ele é mais fácil. É só ligar no piloto automático. Não requer esforço. Tudo o que é novo ou desconhecido, nos assusta. Dá trabalho. E nós não queremos trabalho. Queremos a comodidade da rotina preestabelecida, dos caminhos experimentados. Já traçados. O nosso destino já é conhecido de antemão.


Dizem que quem não vê novas possibilidades diante de si, está doente da mente. É como se só conseguisse enxergar uma única saída, uma só maneira de fazer as coisas, um só caminho a trilhar. Se auto-limitou. É o caso dos suicidas. A morte é a sua única possibilidade.

 
Para enxergar uma nova maneira de fazer as coisas é preciso se desvencilhar de si mesmo. Deixar um pouco de si para trás. Como as folhas velhas de uma árvore. Como a lagartixa que deixa sua própria cauda para trás na iminência de perigo.

 
Para percorrer novas trajetórias ou criar novos hábitos, é preciso, antes, reinventar caminhos dentro de si.


Cristina Danuta de Souza, em 23/05/2010

7 comentários:

Guará Matos disse...

Caminhios que nos acostumamos, saão caminhos que queremos continuar a seguir. As vezes precisamos pudar o percurso.
Bjs.
_____
Ps. Que tal mudar o seu e aparecer "lá em casa" e me apreciar?

Cristina Danuta disse...

Oi Guará!

Hehe, eu tenho aparecido lá, só não tenho comentado. Pode deixar que vou deixar minha "assinatura" das próximas vezes que passar pela sua "casa".

Bjs

CamilaSB disse...

Olá Cristina! Adorei o seu texto poético e reflexivo « é preciso desacostumar os sapatos com os velhos caminhos» é uma grande verdade, por vezes ficamos colados ao chão quando nas nossas vidas nos deparamos com situações novas. É preciso « corajem de se arriscarem em novos e desconhecidos caminhos» sim, porque há caminhos que se renovam e mudam os seus cursos, temos que nos adaptar a esses novos traçados...porque senão corremos o risco de ficarmos « doentes da mente » temos que "matar" a rotina, varrer as « folhas velhas » e descobrir novos caminhos, sonhando com a Primavera dum novo ano que teremos que aguardar.
Grande beijo e parabéns!

Cristina Danuta disse...

Oi Camila.

Obrigada pelas palavras. =)

Beijocas

ONG ALERTA disse...

O mais difícil é mudar, sair da rotina, ir por uma estrada nova, mas vale a pena tentar, paz.

ONG ALERTA disse...

Quebrar paradigmas...paz.

Cristina Danuta disse...

Oi Lisette.

Seja muito bem-vinda. É preciso saber quando seguir pelos caminhos já conhecidos e quando já é a hora de mudá-los. Acho que isso é o mais difícil. =)

Bjs e ótimo dia.