Caminhos...

17:50




Gosto de mudar a rotina dos meus passos. Mudo os caminhos que percorro por necessidade fisiológica. A rotina tem a sua beleza, mas não para meus pés. Eles se cansam dos mesmos caminhos. Desejam novidade. Querem flertar com outras ruas e avenidas. São infiéis.

 
Meus pés adoram inaugurar novas rotas. São desbravadores natos. Desse modo, acabo percorrendo caminhos mais longos do que antes. Mas meus pés não se importam. O caminho mais longo é o mais curto para chegar em casa...

A paisagem já não é mais a mesma. Mudam os rostos. Mudam os cheiros. Os sapatos vislumbram novos horizontes. A brisa acaricia meu rosto de um jeito diferente. O vento afaga meus cabelos de uma outra maneira. Estou sempre reinventando os meus caminhos.

 
Desacelero um pouco os passos para apreciar melhor a nova paisagem. É preciso desacostumar os sapatos com os velhos caminhos. É um desafio. O medo se esconde no desconhecido. Mas se não arriscar novos rumos, meus passos não descobrirão novas possibilidades. Meus sapatos sempre ficarão acostumados com as velhas e empoeiradas ruas, pois não saberão que podem andar de um jeito diferente. Será preciso ensiná-los, como se fosse a primeira vez...


São como os hábitos. Para abandonar um e começar outro, mais saudável, é preciso a coragem de se arriscar em novos e desconhecidos caminhos. Não é fácil. Requer persistência e desprendimento.

 
Por se estar acostumada com o antigo hábito, ele é mais fácil. É só ligar no piloto automático. Não requer esforço. Tudo o que é novo ou desconhecido, nos assusta. Dá trabalho. E nós não queremos trabalho. Queremos a comodidade da rotina preestabelecida, dos caminhos experimentados. Já traçados. O nosso destino já é conhecido de antemão.


Dizem que quem não vê novas possibilidades diante de si, está doente da mente. É como se só conseguisse enxergar uma única saída, uma só maneira de fazer as coisas, um só caminho a trilhar. Se auto-limitou. É o caso dos suicidas. A morte é a sua única possibilidade.

 
Para enxergar uma nova maneira de fazer as coisas é preciso se desvencilhar de si mesmo. Deixar um pouco de si para trás. Como as folhas velhas de uma árvore. Como a lagartixa que deixa sua própria cauda para trás na iminência de perigo.

 
Para percorrer novas trajetórias ou criar novos hábitos, é preciso, antes, reinventar caminhos dentro de si.


Cristina Danuta de Souza, em 23/05/2010

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