domingo, junho 06, 2010

De Profundis


Arte de Armim Mersmann


Sinto nas entranhas o pulsar do coração...


Considero as palavras como algo vivo. Alimento para alma e espírito. Elas fazem germinar em mim algo novo. Sempre.

 
Mas não são todas. Existem aquelas que fazem ninho nos quartos e salas da minha alma. Se embrenham por caminhos ocultos e se instalam sem pedir licença. Gosto de palavras que me desafiam. Que me instigam. Que fazem verter as lágrimas e me sangram, se preciso for.

 
As palavras invadem o porão dos meus sentimentos. Me quebram e me refazem. É nelas que eu me perco e me encontro. Elas me desnudam e me vestem.

 
É no oculto do meu ser que elas fazem seu trabalho. Pois no oculto podem ser feitas coisas escusas, mas também podem ser entretecidas as mais belas palavras...como o verbo se fez carne e habitou entre nós.

 
E dessas profundezas, quem sabe, possa emergir algo novo, inesperado. Algo talvez ainda inacabado. Algo que vai tomando forma à medida que se apossa de mim.

 
Há, entre nós, uma linda e terna comunhão. Como disse o poeta: comunhão é posse dupla. Elas me tem e eu as tenho. Ele me tem e me permite que eu O tenha. E é por essas palavras e pelo Verbo que em mim habita, que acontece a dor da despedida e a alegria do encontro. E no seu devido tempo Ele me mostrará o que dali foi formado.

 
Ainda sinto o pulsar do coração...


Cristina Danuta de Souza, em 06/06/2010

 
Nota rápida 1: Os esboços iniciais do texto me vieram à mente enquanto lia Rainer Maria Rilke, Cartas do poeta sobre a vida (das páginas 168 à 172) e Salmo 139 (o meu preferido).

 
Nota rápida 2: De Profundis também é o nome de um livro escrito por Oscar Wilde, em 1897.

Um comentário:

Mari disse...

Cris...

Enquanto ele pulsar vamos sentir toda uma mistura de sentimentos...
Que pulse e seja o que vier
Boa semana
bjs