A Biblioteca

10:50


Biblioteca Angelica, Roma

Havia um jovem que passava seus dias lendo no interior de uma grande biblioteca. Era uma bela e enorme biblioteca em estilo medieval, que possuía uma vasta coleção de títulos de todas as espécies: livros jurídicos, científicos, teológicos, filosóficos, de psicologia, contos, lendas, biografias, etc.

Naquela biblioteca trabalhava um senhor de cabelhos grisalhos e rosto já marcado pelo tempo. Ele costumava trabalhar em uma mesa que ficava em um dos cantos: catalogava livros novos, verificava correspondências que chegavam todas as tardes e, ás vezes, atendia a algum leitor perdido no meio daquele paraíso em forma de palavras. Ele já havia reparado no jovem rapaz das outras vezes, mas aquele dia sua curiosidade falou mais alto que a sua discrição e ele se dirigiu à mesa recoberta de livros onde se encontrava aquele rapaz.

 - Desculpe interrompê-lo meu rapaz, mas há anos vejo você vir a essa biblioteca todos os dias, no mesmo horário, e fiquei curioso. O que tanto você lê?

- Estou à procura da verdade. Sei que vou encontrá-la em algum desses livros - e apontava com o dedo indicador para a imensidão de prateleiras que recobriam todas as paredes que iam até o teto.

- Meu jovem, pare de procurá-la nos livros. Quem foi que lhe disse que algum livro poderá contê-la?

O jovem, pasmo, olha para aquele senhor sem conseguir dizer uma só palavra. Talvez esperasse que ele lhe dissesse, então, onde poderia encontrar a verdade que, por anos, tanto havia procurado em vão.

Comovido pela persistência e inocência do jovem, aquele senhor se senta  na cadeira que havia ao lado da mesa, olha calmamente para a imensidão de prateleiras repleta de livros, dá um leve suspiro, olha para o rapaz e finalmente diz:

- Dentro dessa biblioteca você poderá achar muitas coisas boas, mas nunca a verdade. Ela não se encontra encerrada entre paredes ou engaiolada em livro algum. Ela é livre, como os pássaros em voo, e só poderá encontrá-la quem for livre como ela.

Nesse instante, foi como se aquele jovem tivesse tido uma revelação. Um sorriso arteiro lhe irrompe dos lábios e,  num misto de alegria e excitação, ele deixa os livros espalhados sobre a mesa saindo em disparada rumo a porta da biblioteca, onde, lá fora,  a luz vespertina do sol fazia companhia a algumas aves que cantarolavam alegremente alguma canção que não me lembro bem. A brisa afaga seu belo rosto juvenil e ele segue impelido por aquela canção misteriosa. Foi conversar com os pássaros.

Cristina Danuta de Souza, em 07/07/2010

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