O Encontro dos Amantes

20:09


                          
Foto de Jacques Ruela

Na alvorada acontece a morte da noite e o nascimento do dia. No crepúsculo é o contrário, o dia morre para a noite nascer. Achei isso tão poético que acabei me lembrando de um filme chamado “O Feitiço de Áquila”. Então eu tive o seguinte pensamento: o dia e a noite são, na verdade, eternos amantes, mas como no filme, quando um surge logo o outro se vai.



O dia, acompanhado de seu fiel escudeiro sol, ilumina a todos debaixo de seus atentos olhares: trabalhadores, camponeses, homens, mulheres e crianças. A noite, acompanhada de suas aias lua e estrelas, vigia os enamorados e guarda o sono dos homens. É somente no breve e mágico momento da alvorada e do crepúsculo que eles se tocam e se beijam. Somente ali, nesses dois únicos instantes, que o amor deles é consumado. Como diria Rilke “eles são guardiões de sua solidão.”



Mas, ao contrário do filme, o “feitiço” deles não é uma maldição. A maldição pode ser estar junto o tempo todo. Existem pessoas que acham que amar é isso, estar sempre junto, como que grudado um no outro. O amor requer liberdade para viver. Para que o outro seja ele mesmo.



E talvez seja assim mesmo. Talvez o amor requeira liberdade para que não perca o seu encanto. Acorrentado ele murcha, adoece e morre. Dizem que o alimento do amor é a saudade. Acho que é por isso que o amanhecer e o entardecer são tão bonitos. O dia e a noite estavam morrendo de saudades um do outro e quando finalmente se encontram é aquele espetáculo deslumbrante.



Agora toda vez que vejo a metamorfose dos céus emudeço de admiração. Só me resta contemplar o mágico e sagrado encontro dos amantes.

 
Cristina Danuta de Souza, em 21/08/2010

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