Os Céus Proclamam...

22:46

                                                                   Foto: NASA

“ A beleza não está nem na luz da manhã nem na sombra da noite, está no crepúsculo, nesse meio tom, nessa incerteza”  Lygia Fagundes Telles


Todo entardecer me dá nostalgia. Mas ele já nasce condenado à morte. Rubem Alves diz que tudo que é belo tem de morrer. Que beleza e morte andam sempre de mãos dadas e que a eternidade não é o tempo sem fim. Tempo sem fim é insuportável.



Pensei nesse breve momento do dia que reveste a minha alma de alegria misturada com saudade. Essa transmutação cheia de tons e cores deslumbrantes. Corro para a janela para ver a metamorfose dos céus. Quando há núvens gosto de acompanhar sua mudança de formas e tonalidades.



Eu não consigo escolher só uma opção entre aquelas perguntas dualistas do tipo “o que você prefere”. Praia ou campo? Dia ou noite? Preto ou branco? Ketchup ou mostarda? Eu não me encaixo só em uma das duas, eu sempre gosto da mistura e acho que acabo deixando o entrevistador meio decepcionado(só faço uma exceção para a mostarda e dispenso o ketchup).



O crepúsculo é um momento sagrado onde acontece um ritual duplo: a morte do dia e o nascimento da noite. O Rubem Alves tem razão. Se durasse para sempre não seria belo, nem mágico. Perderia todo seu encanto. O crepúsculo é tão bonito porque é efêmero, e porque é efêmero deixa saudade na alma. Talvez seja um aviso dos céus dizendo que a vida é bela, mas também é curta. É preciso aproveitá-la com sabedoria. E todos os dias ele dá o seu silencioso aviso.
 
 
Cristina Danuta de Souza, em 19/08/2010
 
 
Nota: A frase da Lygia vi no blog da Mari

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