Lápis de cor

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Arte de Juli Rossi

Iniciei uma nova técnica no curso de desenho artístico semana passada: lápis de cor. Eu gosto de grafite. Há tanta coisa ainda a ser explorada com essa técnica, não queria mudar. Mas mudei. Afinal, é preciso evoluir e uma vez aprendida uma coisa, passa-se ao aprendizado de outra.

Fui a uma loja comprar os lápis, coisa que havia feito pela última vez com a minha mãe quando ainda estava no primário. Me senti novamente uma criança ao escolher entre tantos. Em 1985 já existiam caixas com 48 até 72 cores diferentes? Talvez o mundo tenha ficado mais multicor de uns anos pra cá e eu não percebi.

Ao meu lado, uma garotinha com o pai escolhendo materiais para o início do ano letivo. Na mão, uma pequena caixa de lápis de cor. Na minha, uma caixa com 48 cores. Me perguntei se ela não devia ter me achado grandinha demais para brincar com lápis de cor. Sorri com a ideia.

Minha mente fez um salto ao passado e me recordei da infância quando quase tudo parecia ser uma grande brincadeira. Não existiam grandes preocupações. Tentei lembrar dos bons momentos vividos; sim, apesar dos maus momentos que tendemos a sempre lembrar, procurando com um pouco mais de cuidado e atenção há muita coisa boa e divertida no velho baú do passado.

Ultimamente minha vida anda num tom preto e branco. Problemas, estresse, aborrecimentos. Queria transportar o colorido do papel para a minha vida.

No início da aula achei aquilo bobo, coisa sem muita importância, mas fui mudando de idéia à medida que vi a evolução dos traços coloridos no papel. Primeiramente se vai das cores mais claras para as mais escuras.

Se a graça do desenho com grafite era o jogo de luzes e sombras sobre o papel, agora, é preciso conversar com as cores, sobrepor umas às outras para que elas também conversem entre si, se unam, se misturem, entrem em comunhão para finalmente formar o todo. O desenho ganhou mais vida. Concluí que lápis de cor é coisa séria!

Uma despretensiosa troca de e-mails com um amigo pode fazer uma grande diferença. Talvez poupe mais alguns anos de terapia. Talvez ele nem saiba o bem que me fez. Interessante como vamos construindo pontes com pessoas que nem imaginávamos que isso poderia acontecer.

Pequenos detalhes, por mais bobos que pareçam, podem fazer toda a diferença. É assim no desenho e também na vida.

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