Não culpem as acácias

23:28


Arte de Cristina Danuta
Este foi o desenho que fiz de que falei no post anterior. Acho que para quem está iniciando na técnica até que não está mal. Vou colocar o título de "girafa e acácia. Para quem não sabe, as girafas se alimentam de uma árvore chamada acácia, a qual tem espinhos enormes. Dentro deles, água. Mas você me perguntaria: mas elas não se machucam? Não. Elas não se machucam porque sua língua é extremamente áspera, evitando possíveis ferimentos. Elas comem as folhas e bebem a água contida nos espinhos. Fantástico, não?

Pesquisando um pouco sobre a acácia, acabei descobrindo algumas coisas interessantes: os antigos egípcios a consideravam uma árvore sagrada. Para a maçonaria ela é simbolo de imortalidade. Dela também se extrai a goma arábica e foi a madeira utilizada por Moisés para fazer o tabernáculo e seus utensílios, como a arca da aliança, por exemplo. Alguns estudiosos dizem que a coroa de espinhos de Jesus era feita de acácia, assim como a cruz.

Fiquei pensando sobre as diversas utilidades que essa árvore teve ao longo do tempo. Nada é necessariamente ruim em si, mas pode se tornar a partir do uso que se faz dele. Tem dias que me pergunto isso em relação aos seres humanos: seria alguém ruim em si mesmo (existe alguém que já nasce ruim), ou são nossas escolhas que nos dizem quem nós somos? Se a resposta for a primeira, então existe destino, karma e não há possibilidade de mudança alguma. Ninguém deveria ser culpabilizado por ser mau, afinal, agir assim seria de sua natureza, não haveria como fugir. Seria como mandar que um cachorro pare de latir e abanar a cauda toda vez que seu dono chegar em casa. Ele não pode porque simplesmente não consegue. Faz parte de sua natureza fazer "festa" para o dono. Quem tem cachorro sabe do que estou falando. Mas se for a segunda, então existe algo fantástico que faz toda a diferença: a possibilidade de escolha.

Há coisas em mim que não tenho a capacidade de escolher: cor dos olhos, altura, país de nascimento, quem serão meus pais, irmãos, etc. Mas sobre as minhas atitudes existe essa possibilidade.Tem dias que me pego pensando sobre as notícias que vejo na TV ou que leio na internet. Tantas mortes, assassinatos, crueldades, espancamentos. Pais contra filhos, filhos contra pais e irmãos. Ser humano contra ser humano. Fico me perguntado onde nós vamos parar, aonde isso tudo começou e por quê? Cada dia parece que fica mais difícil ver os noticiários.


A acácia não tem culpa por ter espinhos. Quem a olha rapidamente talvez só veja uma utilidade para eles, assim como aqueles que os usaram para fazer uma coroa, mas há aqueles que vêem nos espinhos uma fonte que mata a sede. Acho que tudo acaba passando pela maneira como enxergamos as coisas. Aprendamos com as girafas!


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